segunda-feira, 4 de outubro de 2010

PSICOPEDAGOGIA DAS IDADES - 0 A 6 ANOS


"Ser catequista é ser jardineiro de gente"(Madre Maria Helena Cavalcanti), isto é, o catequista deve ser aquele que prepara, cuida, observa, ajuda a fazer crescer a fé cristã do catequizando, até seu amadurecimento cristão, conforme nos diz o Papa João Paulo II em Catechesi Tradendae 20: "A finalidade específica da catequese, no entanto, não deixa de continuar a ser a de desenvolver, com a ajuda de Deus, uma fé ainda inicial, e de promover em plenitude e de alimentar cotidianamente a vida cristã dos fiéis de todas as idades".

A fim de realizar um trabalho melhor, o catequista, deve conhecer bem as características da faixa etária com a qual irá trabalhar.

Para que o catequizando possa amadurecer na fé precisamos levar o conteúdo da mensagem cristã adaptado ao seu desenvolvimento psicológico. Por isso, vamos caracterizar a situação psicológica e existencial de cada faixa etária, para depois indicar algumas alternativas da ação catequética.

Ciências que colaboraram para a atual compreensão da psicologia das idades:
A- Psicologia - lançou uma nova luz sobre a motivação, o desenvolvimento moral e religioso, o dinamismo da aprendizagem. (processos, etapas).
B- Sociologia - ajudou a descobrir a influência do ambiente, o valor do grupo, a pressão social.

A CATEQUESE SEGUNDO AS IDADES:

A Primeira Infância
Todos sabemos que o ser humano do nascimento até a morte está em constante desenvolvimento e que este se dá em etapas ou fases.
Podemos situar a fase inicial como Primeira Infância que vai mais ou menos de 0 a 6 anos. Há alguns psicólogos que a subdividem em duas etapas: 0 - 3 anos e 3 - 6 anos.

Características desta Fase:

A - A criança aprende através de experiências sensoriais: vendo, apalpando, ouvindo, movimentando-se. Fala com o corpo todo e ouve com o corpo todo.

B - O egocentrismo: “Criança pequena não é egoísta. Ela é egocêntrica. Isso quer dizer que ela pensa que tudo existe por causa dela, para ela, por ela. Toda criança acredita que tudo acontece porque ela existe. Só quando ela aprende a conviver com outras pessoas é que aprende as regras da convivência e deixa de ser egocêntrica”. O educador da fé deve solicitá-la para o exercício da cooperação.

C - A capacidade de fantasiar: “Nada teria sido inventado e muito pouco descoberto sem o uso da fantasia. Imaginar e fantasiar são direitos da criança porque fazem ela sonhar, criar, duvidar, divergir, discordar das coisas estabelecidas e tentar mudá-las. Toda criança imagina e fantasia”.
Ainda não faz diferenciação entre o mundo real e o imaginário. Assim, a criança faz com que os animais, os objetos, as plantas “vivam”, pensem, falem, como se fossem seres humanos. Vive no mundo do “faz de conta”.

D - A imitação: A criança revela fielmente o seu meio através de gestos imitativos da atitude dos irmãos, dos colegas, dos adultos que a cercam, principalmente através de gestos dos pais.

E - A afetividade: A criança tem grande necessidade de carinho. Através dos gestos concretos de amor dos pais, catequistas, professores a criança será capaz de se desenvolver com maior segurança e estabilidade emocional.

F - A auto-identidade - Por volta dos 3 anos a criança já revela sua identidade pessoal.
“Educar a criança é transmitir-lhe amor e segurança, o que lhe dará confiança para investigar, explorar, descobrir e desenvolver-se com liberdade para ser, para estar e para viver.”
Aos poucos, a criança toma consciência do seu corpo e da sua individualidade durante odesenvolvimento pessoal. A educação da fé deve colaborar também para esta descoberta levando o catequizando a fazer, pouco a pouco, a experiência de Deus em sua vida.
“Um momento muitas vezes decisivo é aquele em que as criancinhas recebem dos pais e do meio ambiente familiar os primeiros elementos da catequese, os quais não serão mais, talvez, do que uma simples revelação do Pai celeste, bom e providente, no sentido do qual tais criancinhas hão de aprender a voltar o coração.” (CT - 36)

G - A brincadeira - “Os adultos têm dificuldade de reconhecer o direito de brincar, e de reconhecer que brincar é o trabalho da criança. Brincar é uma necessidade, uma forma de expressão, de aprendizado e de experiência. Todas as crianças em todo o mundo, mesmo nas mais terríveis condições de dificuldade, pobreza e proibição, brincam. Para aprender, ganhar experiência, exercitar sua criatividade e fantasia, desenvolver-se. Brincando é que a criança organiza o mundo, domina papéis e situações e se prepara para o futuro.”

H - Vive o presente - A construção da noção de tempo, se faz pela experiência e ação da criança que, em seus primeiros anos de vida vive o presente de forma intensa. Cabe ao educador da fé valorizar e aproveitar bem o momento presente a fim de que a criança se desenvolva diariamente e possa perceber a presença amorosa de Deus em todos os momentos de sua vida.

A educação da fé
A educação da fé pode ser realizada de maneira mais estruturada, mas é sobretudo ocasional, já que a criança vive o momento presente. Os pais e catequistas podem aproveitar as festas litúrgicas e as do calendário civil, os acontecimentos do dia a dia. “Catequizar é ensinar a ver Deus na transparência das coisas.” (Madre Maria Helena Cavalcanti)
“Pela força do ministério da educação, os pais mediante o testemunho de vida são os primeiros arautos do Evangelho junto aos filhos.” (FC - João Paulo II).
A educação religiosa da criança deve realizar - se na escola ou na Igreja, porém sempre ligada com a família, da qual depende principalmente o crescimento da fé nesta idade.

A oração
A oração tem como objetivo reconhecer o amor de Deus, desenvolver a confiança que devemos depositar n’Ele, e sermos agradecidos por tudo que ele fez e faz por nós. “A oração é o caminho mais curto entre o céu e a terra” (Madre Maria Helena Cavalcanti).
As crianças têm o direito de aprenderem a rezar. Os adultos devem educar os pequeninos a exprimirem de forma espontânea os seus sentimentos através de orações de agradecimento, louvor, perdão ou pedido de ajuda. “Brevíssimas orações que as crianças hão de aprender a balbuciar, constituirão o início de um diálogo amoroso com aquele Deus escondido de que elas vão começar em seguida a ouvir a Palavra.” (CT 36).

Atividades:
Desenho livre, modelagem, dramatização, jogos, pintura, dobradura, colagem, música com gestos, música ilustrada, passeios,...

Idéias essenciais da catequese neste período:
A criança pequena tem necessidade de ser amada e de amar; é capaz de se maravilhar ao olhar o mundo que a cerca. Pode, portanto, crer em Deus Pai, criador de tudo o que existe. Através do amor dos pais, ela perceberá o amor de Deus. Por isso as idéias essenciais para a catequese deste período poderão ser: Eu sou uma pessoa amada por Deus. Deus criou o mundo por amor.

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